fevereiro 19, 2014

A nova ficção científica de Ridley Scott

parece resumir-se a desfiladores de estilo de duvidosa moda, gangsters implacáveis, decapitações variadas a pé ou a alta velocidade, a tradicional e trágica história do amor maior, a polivalência capilar de Bardem, contos sexuais e outras histórias menores que só servem para agudizar a dor da passagem dos minutos e no meio de tudo isto reflexões intelectuais de pseudo alto gabarito, improváveis e desconcertantes, negativamente com certeza. O Conselheiro. É isto a nova ficção cientifica de Ridley Scott, o génio criador ou recriador do género para cinema. Claro que a ficção científica é chamada a este texto como provocação porque a verdade é que há muito que o realizador deixou este campeonato. É verdade que depois de ressuscitar o alien com a prequela Prometheus voltámos a ver um pouco daquilo que deu o nome a Ridley Scott muito embora a qualidade desse filme mereça também ser alvo de critica. No entanto foi sol de pouca dura pois apesar de todas as noticias que se seguiram ao lançamento de Prometheus acerca da continuação da história, vemos que todas elas serviram única e exclusivamente ao marketing do filme pois parece que nada está ainda convenientemente projectado e mesmo a já mítica recuperação de Blade Runner, para além de pronunciar-se como fiasco, parece ainda uma coisa longínqua de se concretizar no tempo de Scott dadas estas variações duvidosas. O talento de Ridley Scott é conhecido e reconhecido mas infelizmente no que à ficção científica diz respeito não faz nada de original, ou seja, nada que não seja baseado nas obras-primas que deram inicio à sua carreira e mesmo todos estes dramas, thrillers e biografias que vêm preenchendo a sua carreira, apesar de terem boas produções e em alguns casos até cumpridores face àquilo a que se apresentam, revelam-se no final apenas como filmes não mais do que banais que não acrescentam nada de novo ao cinema deste tempo. Com O Conselheiro, Scott regressa então a este registo, às histórias do mundo, dum mundo real mas muito aparente, sem grande jeito à boa maneira do seu irmão Tony já falecido. História mal contada, aos tropeções, filme longo demais, demasiado, excessivo de estilo e sem design de forma, lamentável e para esquecer depressa.


1 comentário:

  1. Este foi uma autêntica desilusão...muita conversa pretensamente filosófica, personagens ocas e formatadas que aparentemente só sabiam "desfilar" em alta costura, muita pretensão de chocar (bora lá inventar um episódio sexual extremamente sui generis para ver se o pessoal se esquece da falta de um argumento consistente)...um filme, como bem dizes, para esquecer!

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